Inquietaria

Após 10 anos em agência, publicitário testa 31 trabalhos em 31 dias

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O brasiliense Eduardo Talley era diretor de arte em uma agência de publicidade de São Paulo há 10 anos antes de economizar uma grana e partir por esse mundão viajando.

Ao retornar, resolveu experimentar novas funções nas quais nunca havia trabalhado em busca de descobrir outros talentos e “voltar a ter satisfação no ambiente profissional”, disse à BBC.

Foram 31 dias de todos os tipos de bicas, de cozinheiro a marceneiro. “Isso me deu uma sensação que eu já não sentia em publicidade fazia tempo: de satisfação, de reconhecimento, de trabalho concreto com começo, meio e fim”, conta.

trabalhos

O projeto, realizado em São Paulo no mês de abril, ganhou o nome de onedayhand (uma mãozinha por dia, em tradução livre em inglês). O próximo passo é replicar a ideia, mas no Rio de Janeiro, além de criar uma plataforma, para que mais pessoas possam ter a mesma experiência.

“Recebo mensagens de pessoas que estão há 15 anos na mesma profissão e não sabem nem por onde começar a pensar em outra coisa, embora tenham vontade de mudar de carreira, ou de experimentar outros trabalhos. Essa pode ser uma oportunidade de experimentar”, explica.

Tudo começou em 2012 quando, apenas de ter “o que pode ser considerado um bom salário para a área”, estava insatisfeito.

Então ele fez um planejamento, guardou grana e decidiu dar uma volta ao mundo.

“Eu estava no melhor momento da carreira, trabalhei nas melhores agências, bom salário, bom cargo, enfim, eu gostava do que fazia, mas aquilo parou de fazer sentido pela energia que você gasta, falta de reconhecimento, tempo que gasta no trabalho e falta de tempo para a vida pessoal, coisas que todo mundo reclama. Aí achei que não dava mais e pedi demissão. E fiz uma poupança boa, não tinha nem tempo para gastar dinheiro antes, tinha poucas férias, e guardei dinheiro para poder dizer: agora eu posso decidir o que eu vou fazer”, contou.
Após um ano viajando, ele teve contato com muitas pessoas e profissões vistas como “subempregos” aqui no Brasil, mas que, ao contrário da situação desses profissionais no país, chegavam a ganhar o mesmo que ele com o cargo como que ocupava na publicidade, por exemplo.

“De volta ao Brasil passei dois anos trabalhando de várias coisas: em obras, como assistente de pedreiro, em produção, fui numa viagem de veleiro com a família Schurmann, oferecia minha mão de obra em coisas que nunca tinha feito. Consegui pagar minhas contas praticamente fazendo trabalhos aleatórios, coisas que eu estava fazendo pela primeira vez”, diz.

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Em março deste ano, criou o site oferecendo um calendário de um mês, onde colocou o que sabia fazer, o que tinha feito algumas vezes e o que tinha vontade de aprender.

As pessoas acessam e agendam direto no calendário, ou podem entrar em contato com ele por e-mail ou redes sociais.

“Eu já estava fazendo, mas foi uma forma de mostrar para as pessoas que é possível fazer. Experimentar uma coisa nova, um ofício novo, nem que seja por um dia. Para alguns vai ser meio terapia, para outros, uma forma de descobrir o que você quer – tem gente que não sabe nem por onde começar”, compartilha.

Algumas das experiências vividas por ele foram: como babá para os filhos de um amigo, como assistente de cozinha, ajudante de marceneiro, produtor de eventos, garçom, pintor, entregador de plantas, sorveteiro, entre outros.

“Foi uma sensação ótima, e ainda tem muito mais coisas que quero aprender a fazer”, indica.

“Eu não sou rico, não tenho mesada dos pais, ou algum suporte desse tipo. Para conseguir fazer o que eu faço até hoje e continuar fazendo, sem ter que voltar para uma agência, tive que baixar meus custos. É preciso repensar valores, consumo, você não precisa mais comprar um carro, ter uma casa, o melhor telefone celular, tem que diminuir o custo de vida, é o primeiro exercício”, conta quando questionado sobre a relação entre trabalho e felicidade ou realização pessoal.

Segundo ele, é possível ganhar de R$ 50 a R$ 150 por dia, dependendo da função. “É mais do que muita gente ganha ralando o mês inteiro num mesmo lugar. Mas não tem a estabilidade que muita gente procura. A gente foi criado para trabalhar, ter uma carreira, comprar um carro, uma casa e ter uma família. Hoje a gente não precisa mais querer isso, buscar isso, mas tem muita gente também que não sabe o que quer, e aí está o problema”.

“Tem muita coisa que ainda quero aprender: fazer joias, cuidar de cachorros, um monte. Quero continuar a fazer coisas que nunca fiz. Pelo menos mais umas cem”, finaliza.

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Cuida de comunicação e conteúdo na 99jobs, acha estranho falar dela mesma na 3ª pessoa (ué, acho mesmo), sabe de tudo (ou procura no Google) e adora ficar nesse eterno gerúndio 24/7 chamado internet!

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